sexta-feira, 29 de julho de 2016

Projetos beneficiam hortaliças e frutas nativas

Erexim (RS) - Diversidade de comida boa traz saúde para a mesa e para o bolso. Esta afirmação é concretizada a partir de oficinas, realizadas pelo Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) núcleo Erexim (RS), que reúnem agricultoras e agricultores. As atividades de reconhecer o valor das frutas nativas e beneficiar hortaliças reúnem o Projeto Ecoforte e a chamada pública de ATER.
“Em setembro de 2014 iniciamos o mapeamento de espécies de frutas nativas que existem nas propriedades das 80 famílias beneficiadas no projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário”, conta Deoner Zanatta Júnior, engenheiro florestal e técnico do CAPA encarregado do projeto que se estende até 2017 e pode ser renovado se a conjuntura política for favorável.

NOVIDADES NO CLIMA

O levantamento botânico teve abrangência de sete municípios do Alto Uruguai e foi constatado que agora existe um clima local diferenciado, criado pela barragem de Itá. “Com uma maior umidade praticamente não ocorrem mais geadas em locais de Severiano de Almeida, Marcelino Ramos e Paulo Bento. Nestas propriedades passou-se a produzir frutas que costumavam ser cultivas apenas junto ao litoral gaúcho”, releva Deoner. Entre elas encontram-se abacaxi, banana, goiaba, araçá e a palmeira jussara que produz uma espécie de açaí. 
Um dos objetivos do projeto é provar que as espécies nativas, muitas vezes esquecidas no pátio, podem agregar valor a partir de beneficiamentos agroindústrias. “Conseguimos fazer suco e polpa de frutas como butiá, jabuticaba, guabiroba, uvaia e pitanga, esta ainda com dificuldades de extração.”
Os equipamentos, que permitem beneficiar as frutas e também hortaliças orgânicas que porventura voltem das feiras agroecológicas, vieram do Projeto Ecoforte patrocinado pela Fundação Banco do Brasil. “Iniciamos as atividades em março de 2015, ao receber dois conjuntos de equipamentos”, conta Daiane de Mattos Taborda, engenheira agrônoma e técnica do CAPA que responde pelo projeto.
“O Ecoforte propõe-se a criar 18 unidades de referência no RS para processar hortaliças, frutas nativas e grãos”, explica Daiane. O CAPA/Erexim recebeu dois conjuntos de equipamentos, um para cortar e embalar hortaliças e legumes, e outro para extrair suco e polpa de frutas encontradas na região. Além de produzir alimentos, o programa também visa a sua comercialização a partir de trocas e de vendas que acontecem nos encontros estaduais da Rede Ecoforte.
Durante as oficinas, que geralmente acontecem em espaços públicos municipais, Deoner e Daina mostram novas possibilidades de produtos que possam aumentar a renda familiar e estão disponíveis na vegetação nativa.” Apresentamos alternativas simples e viáveis para diversificar os pomares. Em nossa região pessoas que investiram muito em cítricos atualmente encontram dificuldades para comercializar sua produção.” justifica Daiane.

MULTIPLICANDO ESFORÇOS: UNIDADES EXPERIMENTAIS PARTICIPATIVAS DE SAF SÃO SOCIALIZADAS COMO ALTERNATIVA A AGRICULTURA FAMILIAR.




Durante o mês de julho, o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA) realizou uma tarde de campo na propriedade de Ênio Nilo Ludwig Schiavon, para trabalhar o tema Sistemas Agroflorestais (SAF), em Pelotas (RS). Fonte: www.capa.org.br/blog/diversidade-e-sustentabilidade-em-tarde-de-campo/.
Neste dia, estiveram presentes 53 pessoas entre técnicas, técnicos, agricultoras e agricultores de diferentes regiões, com o intuito de realizar SAFs em suas propriedades, com o objetivo de melhorar a segurança alimentar por meio de frutas, tubérculos e plantas medicinais, e com vistas a proporcionar outra fonte de renda no futuro.
O agricultor Ênio Nilo Ludwig Schiavon possui uma Unidade Experimental Participativa em Sistemas Agroflorestais (UEP/SAF) que integra a rede de agroflorestas do território da Serra dos Tapes, RS, que é conformada por propriedades dos municípios de Canguçu, Pelotas, São Lourenço do Sul e demais municipalidades circunvizinhas.
A rede vem sendo fomentada pelo Projeto SAF 2 – “Construção participativa de sistemas agroflorestais sucessionais no território da Serra dos Tapes, RS” que é coordenado pelo Pesquisador Dr. Joel Henrique Cardoso, Embrapa Clima Temperado. O projeto é financiado pela EMBRAPA em sua carteira de Projetos do Macroprograma 6 – Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar e à Sustentabilidade do Meio Rural, que entre suas ações de Pesquisa e Desenvolvimento consta a implantação e manejo de unidades agroflorestais, que até o momento totalizam 7 unidades implantadas, sendo 3 em Canguçu, 01 em Pelotas, 1 em Capão do Leão e 3 em São Lourenço do Sul.
No ano de 2016, o Projeto SAF 2 pretende implantar mais 5 unidades, totalizando 12 experiências concretas, que além de cumprir suas funções produtivas, sociais e ambientais, devem incentivar outras famílias e organizações a planejar, implantar e manejar unidades agroflorestais no território.
Fonte: Joel Henrique Cardoso (joel.cardoso@embrapa.br)- Pesquisador em Sistemas Agroflorestais, Embrapa Clima Temperado.

QUALIDADE DE VIDA É BUSCADA POR PRODUTORES DE IPÊ


O município de Ipê no Rio Grande do Sul é a Capital Nacional da Agroecologia. Entre os produtores que apostam nessa iniciativa está a família de Douglas Garbin e Fernanda Silveira e a família de Marcos, Elisana e Maria Luísa Mosquer. As duas famílias que residem na Capela São Brás produzem morango, tomate e amora de forma orgânica. Eles saíram de Caxias do Sul rumo a Ipê em busca de uma qualidade de vida melhor. Contam que Douglas passou a ter problemas de saúde, causado em grande parte pela má alimentação e estresse do dia-a-dia, já que viajava seguidamente em função da profissão que exercia. Tinha um bom salário, mas não tinha um bom aproveitamento do mesmo. Percebendo que morar no campo poderia proporcionar uma qualidade de vida diferente da cidade grande, optaram por comprar uma propriedade no interior de Ipê. Em janeiro de 2015 em família, já que Elisana e Douglas são irmãos, passaram a trabalhar com produção orgânica.
As duas famílias possuem na propriedade duas estufas de morangos que compreendem 720 metros quadrados, duas estufas de tomates que compreendem mais 720 metros quadrados e em uma área de ¼ de hectare é produzido amoras. A produção destina-se às feiras em Porto Alegre e Caxias do Sul, bem como para a Econativa, que é uma cooperativa que comercializa os produtos orgânicos de Ipê, destinando-os para supermercados. As duas famílias trabalham apenas com a produção de morangos, amoras e tomates. Já a produção de algumas hortaliças como brócolis e alface destina-se ao consumo próprio.
Benefício à saúde
O que levou os produtores a investirem na atividade orgânica foi o benefício à saúde, além de ser uma forma de preservar o meio ambiente sem as intoxicações que os agrotóxicos provocam no mesmo e na vida dos consumidores. “Assim estamos contribuindo para o meio ambiente e mostrando que é possível ter uma vida melhor se alimentando com frutas, verduras e produtos sem agrotóxicos”, destacam. 
Douglas comenta que a Cresol auxiliou e auxilia para a implantação das estufas. “Com um crédito diferenciado para mim já que trabalho com agroecologia. Também a Cresol tem uma linha completa de serviços que caso precisar sei que posso contar com estes recursos e juros diferenciados para melhor investimento em minha propriedade”, salienta. As famílias são associadas da Cresol Posto de Atendimento de Ipê, vinculada a Cresol Planalto Serra.
Sobre as dificuldades enfrentadas para produzir agro ecologicamente, Douglas e Marcos destacam que pelo fato de serem produtos orgânicos, não pode ser utilizado nenhum tipo de agrotóxico. “E como hoje em dia há muitas pessoas que usam disto, as sementes já vem com uma certa resistência, pois grande parte são transgênicas. Portanto, a grande dificuldade é em lidar com isto, pelo fato de os tratamentos orgânicos serem naturais, à base de ervas”, relatam os produtores.
Já os pontos positivos, eles afirmam que são diversos. “Um deles é o prazer de trabalhar com produtos assim, sem ter de usar agrotóxicos, sem prejudicar o meio em que vivemos, e também sem prejudicar a saúde das pessoas”, argumentam. 
Fonte: Cresol Central SC/RS

quarta-feira, 27 de julho de 2016

MDSA orienta compras institucionais do PAA em Santa Catarina

FOTO: José Meurer/Ascomsst
 
Florianópolis – A modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) possibilita que órgãos e instituições federais comprem no mínimo 30% de alimentos agricultura familiar com dispensa de licitação. Para esclarecer aspectos técnicos das compras institucionais, a coordenadora geral de Aquisição e Distribuição de Alimentos do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), Hétel Santos, participa do Seminário Estadual de Compras Institucionais de Santa Catarina, realizado até esta sexta-feira (21), em Florianópolis. 
O seminário é realizado pela Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) e pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) do Estado. Cerca de 120 participantes estão discutindo o Marco Regulatório das Compras Institucionais, chamadas públicas, organização da agricultura familiar e a implantação das compras públicas institucionais em Santa Catarina. O governo do Estado pretende lançar um marco regulatório para promover a inclusão socioeconômica rural, pois 85% dos pequenos produtores catarinenses são de agricultores familiares. 
De acordo com Hétel Santos, a discussão do marco regulatório vai estimular o mercado local e possibilitar a inclusão social e econômica da agricultura familiar. “O MDSA já apoia a compra pública em Santa Catarina, desde 2004, para abastecimento dos equipamentos públicos e rede socioassistencial pelas aquisições do Programa de Aquisição de Alimentos. Este evento consolida a ampliação da compra pública para os órgãos, é uma nova etapa de oportunidades de mercado de compras públicas para o Estado e para a Agricultura Familiar”, afirma. 


A tenente da Aeronáutica Silvia Macedo participa do Seminário com o intuito de adquirir variedades da agricultura familiar para a Seção de Subsistência da Base Aérea de Florianópolis. “Nossa intenção é conhecer e aprender sobre essa modalidade para colocar nas nossas licitações. É esclarecedor que a agricultura familiar não fornece somente hortifrúti. Vamos fazer um estudo para saber o que adquirir”. 
O diretor presidente da União Nacional de Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) em Santa Catarina, Genes da Fonseca Rosa, destacou que as cooperativas é a melhor forma dos agricultores familiares se organizarem para vender seus produtos. “As cooperativas conseguem reunir os produtos para a comercialização porque classifica, padroniza a embalagem e organiza a logística de transporte para a entrega”, afirma. 
Para a conselheira de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina e membro do Movimento das Mulheres Camponesas, Adélia Maria Schmitz, alimento de qualidade é aquele sem agrotóxico e ela afirma que a agricultura familiar produz mais orgânicos e agroecológicos. “Meu desejo de mulher camponesa é que a mulher que mora na cidade tenha o direito de consumir uma alimentação digna e saudável sem agrotóxicos”. 
PAA - Em Santa Catarina 1,4 mil agricultores familiares já participaram de alguma modalidade do Programa de Aquisição de Alimentos, fornecendo um total de 3,5 mil toneladas de alimentos que beneficiaram 205 entidades socioassistenciais e instituições públicas. Foram realizadas três chamadas públicas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e MDSA na ordem de R$ 1,1 milhão, entre 2014 e 2015, para fornecimento de 274,4 mil toneladas de alimentos em Santa Catarina. 
Os agricultores familiares catarinenses também já atenderam chamadas públicas para fornecimento de 6 mil cestas de alimentos para 3,8 mil famíília de indígenas, acampados e atingidos por grande empreendimentos em situação de insegurança alimentar.

VENDA MAIS PARA O GOVERNO!

Empreendimentos da Agricultura Familiar portador de DAP Jurídica, interessados em vender seus produtos para órgãos governamentais, deverão solicitar cadastramento no Portal de Compras da Agricultura Familiar, pelo e-mail: paacomprainstitucional@mds.gov.br solicitando senha para cadastramento, informando:
  • Nome do empreendimento;
  • CNPJ;
  • DAP-PJ válida;
  • E-mail oficial do empreendimento ou da área comercial.
  • Telefone

Universidade mineira abre chamada pública para aquisição de alimentos

Foto: Sergio Amaral/MDSA
 
Brasília – A Universidade Federal de Ouro Preto, de Minas Gerais, lança pela primeira vez uma chamada pública para a compra de alimentos da agricultura familiar por meio da modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA). O investimento previsto para a chamada pública é de R$ 817 mil.
A compra será para agricultores familiares e organizações, comunidades tradicionais, assentados, mulheres e para a produção agroecológica e de orgânicos que possuam Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Cada agricultor familiar poderá vender até R$ 20 mil.
Os interessados devem apresentar a documentação para habilitação e a proposta de venda na Coordenação de Suprimentos, localizada no Centro de Convergência do Campus Universitário Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto, até dia 9 de agosto. A entrega dos alimentos nos restaurantes será entre agosto e dezembro de 2016.
No total, mais de 152 toneladas de alimentos; entre verduras, legumes, feijão e rapadura; serão adquiridas para compor a alimentação de quatro restaurantes universitários da instituição. Por dia, a universidade oferta, em média, 5,5 mil refeições.  

Para acessar o edital da chamada pública, clique aqui.

A Universidade Federal de Ouro Preto é a sexta entidade de ensino superior a realizar chamadas públicas para a compra de produtos da agricultura familiar. A legislação atual determina que órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta comprem ao menos 30% de gêneros alimentícios de agricultores familiares e suas organizações.
De acordo com o chefe do Centro de Custo e Arrecadação da Universidade e presidente do Conselho de Alimentação Escolar de Ouro Preto, Carlos Alberto Pereira, a adesão da Universidade foi amplamente discutida. “Esta ação vai ao  encontro à sustentabilidade. Esperamos que dê muito certo para que possamos ultrapassar os 30% apontados pela legislação”, afirmou.
Para a coordenadora geral de Aquisição e Distribuição de Alimentos do MDSA, Hétel Santos, a compra aproxima a universidade da agricultura familiar, além de incrementar a economia local. “O recurso do órgão, na maioria das vezes, é destinado a agricultores daquela região. A economia local é beneficiada, o alimento não passa por toda uma cadeia longa de logística para  chegar ao consumidor, e, com isso, chega mais fresco e promove uma alimentação mais saudável”, disse.

Rio Grande do Norte: Exército irá comprar 10 toneladas de alimentos da agricultura familiar


Foto: Sergio Amaral/MDSA
  
Brasília – O 7° Batalhão de Engenharia de Combate do Exército Brasileiro, com sede em Natal, está com uma chamada pública aberta para a compra de alimentos da agricultura familiar. Até dia 29 de julho, o Batalhão está recebendo os documentos para habilitação e as propostas de venda para a aquisição de mais de 10 toneladas de alimentos, com investimento previsto de R$ 130 mil. Esta é a primeira compra de alimentos da agricultura familiar realizada pela unidade do Exército Brasileiro no Rio Grande do Norte e será feita por meio da modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA).
Na lista de compra estão alimentos regionais como carne de caprinos, queijo de cabra, mangaba, feijão verde, arroz em casca vermelha, rapadura e castanha de caju. Além disso, frutas, verduras e legumes, galinha caipira e pescado irão complementar a alimentação do efetivo do batalhão.

Para acessar o edital, clique aqui.

A prioridade de compra será para agricultores familiares e organizações do município, de comunidades tradicionais, assentados, mulheres e para a produção agroecológica e de orgânicos. Os interessados devem apresentar a documentação para habilitação e a proposta de venda na sede do 7° Batalhão de Engenharia de Combate, na Rua Djalma Maranhão, 641 – Nova Descoberta – Natal-RN.
Podem participar da chamada pública, organizações e associações de agricultores familiares, de povos tradicionais e de famílias vinculadas a assentamentos da reforma agrária que possuam Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Cada agricultor familiar poderá vender até R$ 8 mil.
Para a coordenadora feral de Aquisição e Distribuição de Alimentos do MDSA, Hétel Santos, uma das principais características desta modalidade é o fortalecimento da economia e da produção local. “Quem está mais próximo da demanda pode garantir melhores preços e mais qualidade, com um custo menor, além de promover uma alimentação mais saudável e natural", disse.
Histórico - O Ministério da Defesa é pioneiro no governo federal na aquisição de alimentos por meio da modalidade de Compra Institucional, quando em 2014, adquiriu R$ 564 mil em produtos para abastecer os restaurantes do órgão na Esplanada dos Ministérios. Já em 2015, foram comprados mais de 3,8 milhões em produtos para as Forças Armadas (Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira).
PAA Compra Institucional - Criada em 2012, a modalidade abriu uma nova possibilidade de comercialização para as famílias de agricultores familiares de todo o país ao permitir que municípios, estados, Distrito Federal e órgãos federais comprem, com recursos próprios, produtos para atender as demandas de forma simplificada, segura e transparente, por meio de chamadas públicas, sem necessidade de licitação. A legislação atual determina que órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta comprem ao menos 30% de gêneros alimentícios de agricultores familiares e suas organizações.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

SISAN

Com o objetivo de combater a fome e a miséria no país, o Governo Federal assumiu, desde 2003, compromissos para trilhar a construção da agenda da segurança alimentar e nutricional enquanto uma política de Estado, num amplo processo intersetorial e com participação da sociedade civil 1, definindo os marcos legais e institucionais dessa agenda – como a criação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN); a recriação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA); a instalação da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN); e a elaboração do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PLANSAN 2012/2015).
O SISAN foi instituído em 2006 pela Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional com a finalidade de assegurar o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). Desde a sua criação, avanços legais e institucionais têm garantido a sua construção como estrutura responsável pela implementação e gestão participativa da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional em âmbito federal, estadual e municipal. Esta construção se dá de forma paulatina, num trabalho contínuo de dedicação, articulação e priorização política dos setores envolvidos.
O SISAN está cada vez mais forte. As suas instâncias interagem e funcionam plenamente na esfera Nacional (CAISAN, CONSEA e Conferências de Segurança Alimentar e Nutricional).
Todas as Unidades Federativas possuem CAISAN e CONSEA. Além disso, fizeram a adesão ao SISAN e realizam suas conferências. Parte delas já elaborou seus Planos Estaduais de Segurança Alimentar e Nutricional 2 e as outras estão em diferentes fases de elaboração.
1 A participação social é um elemento essencial à construção do SISAN. Tem papel relevante no que diz respeito à expressão de demandas e corresponde a um importante exercício de democracia participativa e de representação social na elaboração, implementação, avaliação e monitoramento das políticas públicas do país. Se por um lado a participação social pressupõe uma maior capacidade propositiva das representações da sociedade civil, por outro exige do governo uma maior disposição em dialogar as propostas em espaços públicos institucionalizados como os conselhos e conferências.
 
2 O Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional é o principal instrumento de planejamento para colocar em prática ações que promovam a oferta de alimentação adequada à população.

Ministério da Saúde passa a comprar e oferecer apenas alimentos saudáveis


Foto: Ministério da Saúde
 
Todas as compras realizadas pelo Ministério da Saúde e entidades vinculadas ao MS serão, obrigatoriamente, saudáveis. É o que define portaria assinada, nessa quinta-feira (07), pelo ministro Ricardo Barros durante evento de divulgação dos hábitos alimentares dos brasileiros. O texto cria diretrizes para a promoção da alimentação saudável e adequada nas unidades do Ministério da Saúde de todo o país. 
Segundo a portaria, restaurantes, cantinas e lanchonetes que funcionarem nas dependências do MS e de suas entidades devem fornecer alimentos in natura ou minimamente processados – ou seja, que são a base para uma alimentação nutricionalmente balanceada e saborosa – e preparações culinárias que contemplem todos os grupos alimentares, como cereais, raízes e tubérculos, verduras e legumes, frutas, castanhas e outras oleaginosas, leite e derivados, carnes, ovos e pescados. Esses tipos de alimentos são os que o Guia Alimentar para a População Brasileira definem como saudáveis. 
“A mudança precisa acontecer de dentro para fora”, justificou o ministro ao explicar que a portaria passa a valer, inicialmente, para todas as unidades do Ministério da Saúde. Mas o objetivo é estendê-la aos demais órgãos do governo federal, dos estados e dos municípios. O ministro pretende, ainda, incentivar que alunos das escolas públicas aprendam sobre alimentação saudável no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), cuja gestão é compartilhada com o Ministério da Educação (MEC).
A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição, Michele Lessa, explicou de maneira bem clara que o objetivo é criar ambientes promotores de escolhas alimentares saudáveis e alertou: “Se na lista de ingredientes do rótulo de algum alimento tiver muitos nomes estranhos, muitos aditivos, corantes e muitos nomes que você não conhece: é um ultraprocessado e faz mal a saúde”, ressaltou. “É preciso descascar mais e desembalar menos”, resumiu. 
As diretrizes da portaria valem também para os eventos organizados pelo Ministério da Saúde ou por empresas contratadas para o fornecimento de refeições, como coffee-breaks, coquetéis e almoços. Além disso, a portaria proíbe a venda direta, a promoção, a publicidade ou a propaganda de alimentos ultraprocessados com quantidades excessivas de açúcar, gordura e sódio e determina ainda o estabelecimento de critérios para a contratação de serviços de alimentação que funcionem nas dependências do Ministério e vinculadas. 
As novas diretrizes começarão a valer a partir da data de publicação da portaria. 
Elaboração de refeições saudáveis
Durante o evento, ocorrido na sede do Ministério da Saúde, em Brasília, foi lançado o Guia Para Elaboração de Refeições Saudáveis em Eventos e outros materiais para auxiliam na adoção desse tipo de prática. O objetivo é contribuir para a melhoria da qualidade das refeições e para auxiliar profissionais de saúde a promover a alimentação saudável.
As orientações da publicação deverão ser consideradas na elaboração de termos de referência ou processos para contratação de empresas de refeição (coffee breaks, brunchs, coquetéis, almoços). “É preciso evitar o gasto público com coisas que fazem mal à saúde da população”, destacou Michele Lessa. 
Materiais lançados:
Guia para a elaboração de refeições saudáveis em eventos 
Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica 
Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição - material de apoio para profissionais de saúde 
Na cozinha com as frutas, legumes e verduras 
Folder - Tenha mais atenção com a alimentação em seu dia a dia 
Folder - Obstáculos para uma alimentação adequada e saudável 
Folder - Habilidades culinárias 
Folder - A escolha dos alimentos

Osmar Terra garante compromisso com os programas de segurança alimentar e nutricional

Foto: Rafael Zart/MDS
 
Brasília – “Quero reforçar o coro do Consea e ajudar no que puder. Vamos construir juntos essa política de segurança alimentar e nutricional”, disse o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), Osmar Terra, durante a XXII Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) que aconteceu nesta quarta-feira (6) em Brasília. Terra garantiu que esta área será preservada e aperfeiçoada da melhor forma possível. “Tenho o meu compromisso com o Consea”. 
O ministro citou um programa de inclusão produtiva para os beneficiários do Bolsa Família que está sendo desenhado dentro do MDSA. Dentre as ações, a ampliação do microcrédito com a criação de um fundo de aval. Também enfatizou que se esforçará para aprovar o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional no pleno ministerial da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), que já foi aprovado pelo pleno executivo. 
Lembrou que está em processo de discussão e criação um programa voltado à primeira infância. A proposta é atender de 5% a 10% das crianças ainda este ano e até 2018 todas as crianças menores de três anos. O ministro enfatizou que está mantendo os programas de governo e que não haverá retrocesso na área de assistência social. “Estamos ajustando uma grande base de dados e montamos um comitê especial para aperfeiçoar o programa Bolsa Família”.